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Despedida no Pomar

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472 думи · ⁦~3⁩ мин. четене · Горно средно

Quando as últimas caixas foram empilhadas no camião, o sol de agosto já descia atrás das colinas que rodeavam o Pomar de São Miguel. A Marta trabalhava ali todos os verões desde os dezasseis anos, mas aquele seria o seu último turno. Tinha aceitado uma vaga na universidade em Coimbra e sabia que não voltaria no ano seguinte. O proprietário, o senhor Oliveira, apertara-lhe a mão de manhã e dissera que ela faria falta; a mulher dele chegara a fazer um bolo de limão para a ocasião. Mesmo assim, o ambiente parecia estranhamente contido, como se todos percebessem que os finais eram mais fáceis quando não se falava deles.

A Marta passara a tarde a colher as últimas maçãs da estação tardia, com os braços doridos do movimento repetitivo a que se habituara nas oito semanas anteriores. Às quatro e meia parara para observar um par de andorinhas que voavam baixo sobre as fileiras, imagem que lhe recordava o primeiro dia em que chegara nervosa e insegura. Nessa altura deixara cair dois cestos cheios, amassando a fruta e recebendo uma repreensão suave do encarregado. Agora conseguia encher uma caixa em menos de dez minutos sem cometer um único erro.

Pouco antes das cinco horas os outros trabalhadores sazonais reuniram-se junto ao antigo celeiro de pedra. O Tiago, que conduzira o trator durante todo o verão, tirou uma garrafa de sidra caseira que guardara com carinho. Passaram copos de plástico enquanto a luz ficava dourada. A Marta ouviu os colegas trocarem histórias sobre o verão: o dia em que o tubo de irrigação rebentou, a tarde em que um turista tentou subir à árvore mais alta e a manhã em que granizo ameaçou toda a colheita. Percebeu que provavelmente nunca mais veria a maioria deles.

Quando os copos ficaram vazios, o senhor Oliveira apareceu com o bolo de limão. Agradeceu a todos pelo esforço e disse que o pomar tivera sorte em contar com uma equipa tão dedicada. A Marta sentiu um aperto repentino na garganta; não esperava ficar tão ligada a um emprego temporário. Enquanto ajudava a carregar as últimas caixas para o camião às seis e um quarto, perguntou-se se os novos alunos em Coimbra alguma vez compreenderiam o que significava estar entre as árvores ao entardecer, com o aroma de fruta madura no ar.

Mais tarde, enquanto pedalava para casa pela estrada conhecida, a Marta olhou para trás uma única vez. As luzes do pomar tinham-se acendido, brilhando suavemente contra o crepúsculo que se adensava. Aprendera ali mais do que imaginara: paciência, a satisfação do trabalho físico e a tristeza serena que chega quando algo bom chega ao seu fim natural. No dia seguinte começaria a arrumar as malas para a universidade, mas naquela noite o sabor do bolo de limão e a memória da sidra partilhada acompanharam-na até casa.

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1Durante quanto tempo é que a Marta tinha trabalhado no pomar antes do seu último dia?
2A que horas é que a Marta parou para observar as andorinhas?
3Quem é que tirou a garrafa de sidra caseira?
4A que horas é que os trabalhadores terminaram de carregar as últimas caixas?
5O que é que a mulher do senhor Oliveira fez para o último dia da Marta?

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